Nesta reportagem do Channel 4, um grupo de homens negros implora aos jornalistas que fiquem junto deles. Testemunhos do terror agora perpetrado pelo outro lado. O lado que apoiámos.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Fiquem aqui connosco
Nesta reportagem do Channel 4, um grupo de homens negros implora aos jornalistas que fiquem junto deles. Testemunhos do terror agora perpetrado pelo outro lado. O lado que apoiámos.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
you dickheads
segunda-feira, 25 de julho de 2011
A Europa não é uma conta bancária
El vals de Lisboa
sexta-feira, 22 de julho de 2011
preguiçosos
Somos os turcos de Sarrazin, os ciganos de Sarkozy, os mexicanos sem ética trabalhadora de Huntington.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
terça-feira, 28 de junho de 2011
medíocre
quarta-feira, 25 de maio de 2011
necrópole
Houve um tempo em que ela ia descalça pela secura da erva e ele se deitava mastigando palhas e contando rostos de velhos no céu. Sorria, imaginando a doçura esquecida pela avó nos bolsos do avental. A avó que era tão pequena, proibida de crescer para não ser maior do que os homens, não sabia bem quais as crianças que eram do seu sangue. Deste corpo saiu a multidão que povoou duas aldeias, dizia, quando se queria dar ao respeito. Não a conhecera antes de as rugas lhe terem comido a pele, de os ossos terem entortado e de o tronco ter desaparecido entre o pescoço e as ancas. O cabelo deveria em tempos ter bulhado com o lenço preto da viuvez, deveria por fim ter-se resignado antes de cair, até se tornar parte do lenço e este parte dela, como se fora mais um braço, um fígado, um coração.
Hoje escrevia contos dentro das histórias da mãe das aldeias, algumas mais velhas do que a necrópole do monte que, um dia, um historiador do Porto veio fotografar ladeado por meia dúzia de funcionários camarários ansiosos por contabilizar a descoberta. Século VIII ou IX, talvez, disse das duas pedras onde se viam escavadas as formas de um homem e de uma mulher. Nada disse sobre os braços, os fígados e os corações.
domingo, 22 de maio de 2011
brigade de ménage à deux
J’en veux, ce matin, au juge américain qui, en le livrant à la foule des chasseurs d’images qui attendaient devant le commissariat de Harlem, a fait semblant de penser qu’il était un justiciable comme un autre.
Os Europeus são tão bons a dar palmadinhas nas suas próprias costas. Tudo o que inventam é justo, humano, democrático, emancipador e igualitário, a menos que seja exportado para outros lugares e venha a ser usado contra um dos nossos. Um dos que gostamos, claro, caso contrário façam o favor de estar à vontade.
A defesa que BHL pretendia fazer de DSK é um tiro nos pés. É muito triste quando nada mais se tem do que a defesa da parcialidade do sistema e teorias sobre a brigade de ménage de duas mulheres, que só tinha uma, para oferecer em defesa de um amigo.
domingo, 24 de abril de 2011
lisboa
Há um fim de tarde para gastar sob um céu de cal e reparo com estranheza que está mais frio que no Norte. Os rapazes querem ver os Jerónimos e a Torre de Belém. Vão vocês que eu tenho muito frio e fico a observá-los enquanto vão tocar as pedras; para se certificarem, talvez, de que ainda nada se desvaneceu.
sábado, 16 de abril de 2011
jarros
Grace gostava muito dos jarros que na Primavera desabrochavam por todos os cantos húmidos da aldeia, enchiam os altares das igrejas e as jarras de todas as casas. Impressionava-a não custarem nada, absolutamente nada pois nasciam onde lhes apetecia sem que ninguém os tivesse plantado, adubado, apaparicado. Na terra dela eram flores exóticas que custavam muito dinheiro e não tardou muito que o seu forte espírito de iniciativa a pusesse a sonhar com uma empresa de exportação de jarros para a Escócia. Os aldeões respondiam a todas as suas perguntas, divertidos com todo aquele interesse nos jarros, superior ao dos caracóis que lhes trepavam os caules. Não era a primeira forasteira que passava por lá. Antes dela houve um holandês barbudo e solitário que comprou um velho moinho em ruínas que ele próprio restaurou; um casal alemão de professores universitários com três filhos pequenos que cresceram entre cabras e ovelhas, violinos e pianos e outros apaixonados pela rugosidade dos rostos, pelas mãos calejadas na natureza e pela aspereza da vida simples que tudo arrancava da terra, vindos atrás de uma qualquer utopia à qual acabavam sempre por sucumbir. Mais tarde ou mais cedo iam-se todos embora, tão inesperadamente como tinham chegado.
(os jarros nas fotografias são do meu jardim e também eles nascem sem que ninguém os tenha mandado)
agências de rating e o abuso de poder
As agências de notação financeira são entidades que avaliam os riscos financeiros, classificando os instrumentos financeiros de países, empresas ou bancos, atribuindo notações (rating) que indiciam, nomeadamente, o grau de risco de que os classificados não paguem atempadamente as suas dívidas. (...)
Quanto maior for o risco inerente a uma emissão de dívida, maior será o retorno exigido pelos investidores, ou seja, maiores serão os juros por eles impostos. Compreende-se assim a grande importância que revestem as classificações feitas por estas agências: elas servem de referência aos investidores, emissores e administradores públicos para as suas decisões de investimento e financiamento.
Sendo este o papel que reconhecidamente tem sido atribuído no mercado a estas agências, não pode permitir-se que ajam por forma a alterar o preço dos juros, direccionando o mercado para situações em que elas próprias ou os seus clientes tenham interesse e retirem benefícios.
Para mais, as três agências de notação financeira aqui denunciadas contam com 90% de participação no mercado das classificações creditícias, e o FMI reconhece-as como sendo as que maior influência têm a nível global. Por isso mesmo, o FMI tem alertado, como por exemplo na sua informação de 2010 sobre a “Estabilidade Financeira Mundial”, que “estas agências usam e abusam do poder que têm” e “ necessitam de uma supervisão mais estreita porque as suas actividades têm um impacto significativo nos custos de endividamento dos países, podendo afectar a sua estabilidade financeira”. Concluindo, considera o FMI que as decisões das agências podem alterar a estabilidade financeira dos mercados, alterando os preços do financiamento em termos que suscitam problemas jurídico-penais (em http://www.imf.org/external/pubs/ft/gfsr/2010/02/pdf/chap3.pdf).
A idêntica conclusão chegou a investigação realizada pelo Comittee on Homeland Security and Governmental Affairs do Senado dos Estados Unidos sobre o papel das agências de classificação de crédito centradas nas duas agências aqui denunciadas, Moody’s e Standard & Poor’s. (http://hsgac.senate.gov/public/_files/Finantial_Crisis/042310Exhibits.pdf). Precisamente pelos mesmos motivos, estão agora em curso, nos Estados Unidos da América, diversos processos penais, um no Tribunal Superior da Califórnia contra a MOODY’S e a FITCH, outro no Tribunal Distrital de Ohio contra a STANDARD & POOR’S e no Tribunal Superior de Connecticut contra as referidas três agências de notação financeira.
(...)
Excerto do texto da denúncia facultativa contra três agências de rating, que pode ser lido na íntegra e subscrito aqui.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
ângulo
Hoje o país descobriu que há ângulos melhores que outros para dar as más notícias e que eles são de extrema importância. Haverá um ângulo melhor para as receber? Se nos posicionarmos de certa forma em relação ao televisor…










