
Artist's impression of s supermassive black hole ripping apart a star and consuming some of its matter (NASA/CXC/M.Weiss). aqui
Quando o meu filho mais velho tinha seis anos:
- O que queres ser quando fores grande?
- Quero ser governo.
- Governo?
- Sim. O mundo está todo mal e eu quero pô-lo direito.
Quando percebeu que teria de ser eleito e que para isso teria de ser popular, desistiu de ser governo. Resolveu então que queria ser astrofísico.
- Porque queres ser astrofísico?
- Porque o espaço está cheio de mistérios. Quero descobrir o que está por trás dos buracos negros.
Ainda não mudou de ideias. Tão jovem e já se convenceu que o mundo não o escutará.
Dizia-me a minha cunhada irlandesa que os jovens da Irlanda são uns tontos. Bebem demais, atropelam gente, vandalizam, não deixam dormir a vizinhança, são mal-educados, insultam os velhos, parecem não ter sentido algum na vida, suicidam-se. Ela sempre teve tendência para generalizar e faço-lhe ver isso, não podem ser todos assim, mas ela diz que a maior parte é assim e abençoa o dia em que ela e o meu irmão decidiram mudar-se para cá, para que os filhos aqui crescessem, porque Portugal tem muitos defeitos, diz, mas ainda é o melhor sítio para as crianças crescerem. Falamos da nossa juventude, dos nossos gostos, o que fazíamos e não fazíamos, lembramo-nos que na adolescência nós íamos mudar o mundo. Os nossos filhos escutam a conversa e o meu sobrinho mais velho(15) diz:
- Eu também quero mudar o mundo.
Na minha juventude eu também pensava que o mundo seria muito melhor se toda a gente se calasse e me escutasse. Nunca me lembrei de estudar os buracos negros.








