
sexta-feira, 19 de março de 2010
Vivian Maier





Fotografias de Vivian Maier (1926-2009), fotógrafa anónima de rua, Chicago, anos 50. O seu trabalho foi descoberto durante um leilão de antiguidades por John Maloof que se tem dedicado à sua divulgação, assim como à recolha dos dados biográficos de Vivian.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009


©Srinivas Kuruganti
Prostituição masculina em Hyderabad. As fotografias fazem parte do trabalho de documentação da sida na India realizado pelo autor.
terça-feira, 14 de julho de 2009
corpetes e armaduras

corpete de madeira, século XVII
"Corpete de madeira?", pergunta-me um leitor por e-mail, a propósito do que aqui escrevi. Esta fotografia é de Tanya Marcuse, autora do livro Undergarments and Armor com texto da historiadora Valerie Steele, que escreveu The Corset, A Cultural History.
No livro de Tanya Marcuse, o mundo dos homens e o mundo das mulheres é justaposto para nos dar uma perspectiva que vai mais além da percepção inequívoca do corpete como instrumento de opressão, avançada por Valerie Steele no seu livro.


tournure de 1880 e pormenor de uma armadura maximiliana c. 1510
Tanya Marcuse
segunda-feira, 6 de julho de 2009
identidade

mulheres da limpeza, da série Comerciantes de Irving Penn
Quando pela primeira vez pus os pés fora de Portugal recebi a minha primeira lição de identidade. Lá fora não era com artistas, exploradores e poetas, que nos identificavam. Não era com a veia que nos levou a dar mundos ao mundo. Era com as mulheres da limpeza.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
metamorfoses









Nienke Klunder
quinta-feira, 30 de abril de 2009
arrumar livros

Tim Walker (inspirado talvez nesta fotografia de Claude Cahun)
Tenho adiado a limpeza e organização das minhas estantes mas a citação em baixo, pescada por Jacques Bonnet num manual de governo da casa vitoriano (Des bibliothèques pleines de fantômes), deu-me uma ideia, contrária à que se afirma entre as aspas, que talvez me motive para essa tarefa morosa: alcovitar a minha literatura. Vou fazer casamentos hetero e homo, ménages à trois, incestos, uniões e desuniões de facto, e tudo mais de que me lembrar.
«La parfaite maîtresse de maison veillera à ce que les œuvres des auteurs hommes et femmes soient décemment dissociées et placées sur des rayons séparés. Leur proximité sauf à être mariés ne pouvant être tolérée.»
É tradição representar os autores junto aos livros, sentados em poltronas confortáveis ou por trás de secretárias submersas em papéis. Não percebo porque não aparecem fotografados junto a um monte de louça para lavar, um monte de roupa para brunir, um monte de lenha para empilhar. Uma esfregona na mão. Se eu fotografasse os meus autores e autoras, e se me exigissem um retrato junto aos livros, clonaria a modelo da imagem que aqui pespego. Gostava de os ver assim, nus entre as prateleiras, coabitando a promiscuidade literária que donas de casa de ocasião, especialistas na lida da casa como eu, se entretêm (e divertem) a planear.
sábado, 25 de abril de 2009
25

Emma Hack
De blogue em blogue, velhas canções, o Zeca Afonso, o Chico Buarque, tanto mar, tanto mar, fotos, relatos, testemunhos pessoais, capitães, memórias que se esgravatam em baús, uns pessoais, outros colectivos, tuita-se a revolução, comemora-se.
Todos os anos me emociono com as fotografias do povo na rua, os abraços nos tropas, os cravos nas mãos, os rostos pacíficos das mulheres, tanto mar, tanto mar ainda por desbravar.
Todos os anos, todas as coisas, todos os cravos.
domingo, 29 de março de 2009
segundo

Ivy Door, Oliver Gagliani
Há um ano comecei a gravar mensagens em português para alguém encontrar; talvez alguém as encontre um dia, pensei, ou talvez elas encontrem o seu caminho até alguém. São pequenos traços de mim, algo que não se toca mas que pode tocar, ainda que por vezes falte o contexto, ainda que sem um esboço do rosto para vos ajudar a situar quem ledes nas palavras. O blogue pode ser um exercício de egocentrismo, mas só o é até nos lembrar que nós não somos os melhores juízes de nós próprios. A perspectiva dos outros sobre nós é frequentemente a mais certa e, de certa forma, são essas perspectivas que procuramos ao transmitirmo-nos pelos dedos fora.
Não me apetece mergulhar no meu arquivo e fazer uma retrospectiva. Aquilo que me tocou, de forma positiva ou negativa, permanece na arrecadação mental. O que foi produzido, consumido está. Foi-se nos bits e bytes das muitas páginas que escrevi , excepto aquilo que ainda está no vosso cache mas que, não tarda muito, será engolido pela limpeza rotineira do disco duro.
Entro no segundo ano.
sábado, 21 de março de 2009
fora de jogo

Foto de Christophe Huet para a Decathlon
Não é nada fácil uma equipa de província chegar onde o Braga chegou, mas continua-se a reduzir estes grandes esforços e conquistas da periferia a notas de rodapé. Fala-se de um jogo ganho como quem fala de sorte, sem perceber que houve ali mais trabalho, suor e lágrimas do que numa vitória de um dos grandes, e da eliminação como se fosse há muito esperada.
Eu não gosto de futebol, não sei o que é um fora de jogo, mas sei que a província está sempre fora de jogo. Sou daquelas pessoas que mudam de canal quando as notícias entram no segmento futebolístico, mas até eu ouço falar ad nauseam no Benfica, no Sporting e no Porto e dos outros, quase nada. E se assim é no futebol, noutras áreas é muito pior. O constante apagamento da província, aqui e ali apanhada nos holofotes pela vagina do Coubert, uma mãe de Bragança, um Adelino Torres, o disparate dum padre, e outras derrotas idênticas a que chamam país real e que põem o nome da terra nas parangonas dos jornais e a abrir noticiários, iludindo por momentos o completo anonimato e irrelevância a que se é votado no resto dos dias, deixa estes esforços, que não se resumem ao desporto, fora de jogo. Perpetua a ilusão, tão portuguesa, da mediocridade genética da província, povoada por broncos de quem o resto do país se envergonha. Seria bom se todos os esforços, muitos por simples carolice e determinação das pessoas, tivessem a atenção e o respeito que merecem. É uma questão de equilíbrio.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
armário

©Claude Cahun
Tinha por hábito enfiar-me dentro dos armários. O armário preferido era o da minha mãe, por causa do cheiro. Cheirava à mãe e eu adormecia nele com as portas fechadas. Ela nunca fechava os braços sobre mim para me abraçar e eu contrariava as experiências de privação dos sentidos com perfume.
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
povo

© Martin Brogen
O povo que me rodeia é aquele que me deixa coisas na entrada da porta, homens que se ajudam trabalhando nos campos uns dos outros, mulheres que cozinham para o divorciado que vive sozinho, quando adoece, que deixam portas abertas e são roubados por forasteiros de países longínquos como a Roménia (como raio vierem dar com a nossa aldeia? não sabem que é tudo pobre por aqui?), que são enganados por burlões de gravata com promessas de reformas chorudas da França, que nunca foi a Lisboa quanto mais ao Algarve, e que do Porto só conhece bem os hospitais, que pede licença antes de cortar as minhas hidrângeas azuis para assear a igreja, que alimenta os cães e gatos vadios, que se junta e vai todo junto, de porta em porta, pedir para ajudar a pagar a cadeira de rodas da menina do Zé de baixo, me ensurdece com a música pimba nas noites de festa com os imigrantes e as ave-marias nos altifalantes da igreja nos dias santos, que vai à praia aos domingos na camioneta das oito, porque não se pode levar o farnel na mota, e volta à tardinha, vermelho como uma lagosta e olhos vertidos de mar, mãos e bainhas das calças cheias de areia dos castelos que deixaram no areal.












