quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Item of mortality

AMONG OTHER public buildings in a certain town, which for many reasons it will be prudent to refrain from mentioning, and to which I will assign no fictitious name, there is one anciently common to most towns, great or small – to wit, a workhouse; and in this workhouse was born, on a day and date which I need not trouble myself to repeat, inasmuch as it can be of no possible consequence to the reader, in this stage of the business at all events, the item of mortality whose name is prefixed to the head of this chapter.

O “item of mortality” é Oliver Twist e é assim que Charles Dickens o introduz no primeiro parágrafo do livro, uma expressão que ficaria comigo para sempre associada às imagens que em criança fui construindo através das letras de Dickens, preenchendo-as com retalhos de uma realidade que, em certa medida, não me era estranha; um mundo violento e dolorosamente injusto onde as crianças estavam sempre a um milímetro da morte, vítimas das vítimas e, no entanto, donos de uma força que os levava a cometer o derradeiro crime: pedir mais do que o que lhes era permitido ter quando o que lhes era permitido ter pouco mais além ia da autorização para respirar.

O bicentenário do nascimento do escritor acontece num momento deveras apropriado para que seja lembrado e relido, ou não vivêssemos num tempo onde querer mais manter o que se tem se tornou uma espécie de lesa-pátria e a destituição um acto de patriotismo. Isto não é uma comparação entre a nossa realidade e a de Dickens. É antes a velha questão das verdades abstractas da economia nua e crua, tal como os donos dela as entendem e que agora nos governam, se sobreporem à nossa humanidade. Temo que seja nessa direcção que caminhamos, a passos largos até nos tornarmos em meros itens de mortalidade.

Sem comentários: