sábado, 18 de fevereiro de 2012

função essencial

Não tenho nada contra a ideia de o estado ajudar as famílias para que os pais possam acompanhar mais os filhos, sobretudo agora que o governo parece mais empenhado em reduzir o tempo que passam com eles, mas defender que essa ajuda se destine às mulheres é passar um atestado de incapacidade parental aos homens. Indignam-se, e bem, com as palavras de Manuel Monteiro de Castro que considera que ser educador é uma função essencial da mulher, pelo que deve ficar em casa a educar os filhos e ter tempo para ouvir o marido.

Não é todos os dias que ouvimos um coro de homens protestar contra a ideia de que o lugar da mulher é em casa e, ao mesmo tempo, exigir que lhes seja reconhecido o seu papel de pais e educadores em pé de igualdade com o das mães. Se há alguma coisa nesta história que nos deva honrar é esta atitude e nunca a nomeação de Manuel Monteiro de Castro para uma coisa onde não somos tidos nem achados, diga Paulo Portas o que disser.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Item of mortality

AMONG OTHER public buildings in a certain town, which for many reasons it will be prudent to refrain from mentioning, and to which I will assign no fictitious name, there is one anciently common to most towns, great or small – to wit, a workhouse; and in this workhouse was born, on a day and date which I need not trouble myself to repeat, inasmuch as it can be of no possible consequence to the reader, in this stage of the business at all events, the item of mortality whose name is prefixed to the head of this chapter.

O “item of mortality” é Oliver Twist e é assim que Charles Dickens o introduz no primeiro parágrafo do livro, uma expressão que ficaria comigo para sempre associada às imagens que em criança fui construindo através das letras de Dickens, preenchendo-as com retalhos de uma realidade que, em certa medida, não me era estranha; um mundo violento e dolorosamente injusto onde as crianças estavam sempre a um milímetro da morte, vítimas das vítimas e, no entanto, donos de uma força que os levava a cometer o derradeiro crime: pedir mais do que o que lhes era permitido ter quando o que lhes era permitido ter pouco mais além ia da autorização para respirar.

O bicentenário do nascimento do escritor acontece num momento deveras apropriado para que seja lembrado e relido, ou não vivêssemos num tempo onde querer mais manter o que se tem se tornou uma espécie de lesa-pátria e a destituição um acto de patriotismo. Isto não é uma comparação entre a nossa realidade e a de Dickens. É antes a velha questão das verdades abstractas da economia nua e crua, tal como os donos dela as entendem e que agora nos governam, se sobreporem à nossa humanidade. Temo que seja nessa direcção que caminhamos, a passos largos até nos tornarmos em meros itens de mortalidade.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

piegas


O Calvin resolve seguir o conselho do PM e tornar-se mais exigente.