sábado, 22 de outubro de 2011

Kadaffi e o croché

De uma entrevista ao escritor líbio Hisham Matar, na Guernica. Tradução livre.
(..)E a Líbia tem mais de 150 revistas e jornais que apareceram nos últimos seis meses. Este é um país que não tinha, sabe, revistas ou jornais (...) que não pertencessem ao governo. E a maior parte é muito má. Mas não faz mal. É um início. Alguém, por exemplo, anda a falar em começar uma maratona. Pode não parecer um grande acontecimento, mas não nos era permitido ter o raio de uma maratona. Agora podemos falar sobre fazer uma maratona! É muito excitante! E estes pequenos gestos de expressão são – há um comité de mulheres que se reúne e discute em termos muito abstractos e muito concretos o que significa ser mulher no mundo. Maravilhoso! A vida na Líbia era extraordinariamente diferente da vida no Egipto e na Tunísia, e na maioria dos outros países árabes, no sentido em que a vida cívica tinha sido completamente dizimada. Por isso, não se podia fazer uma reunião e ter uma sociedade que debate… a lua. Não interessava o que fosse. Não se podia começar uma revista… uma revista de croché. E esquecemo-nos de como estas revistas são importantes. E o processo de nos reunirmos para dar início a uma revista de croché… são talentos transferíveis, sabe?
(Vale a pena ler toda a entrevista)

2 comentários:

alexandra g. disse...

Comoveu-me a afirmação sobre a protecção que o ofício da escrita confere.

maria n. disse...

Entendo bem o que diz.