domingo, 24 de abril de 2011

lisboa

Esqueço-me de como é bonita. As viagens são de contorno, imperativo de um destino que nunca passou por lá, excepto quando é necessário tratar de papelada entre fachadas imponentes que se esboroam como se disso dependesse a atracção turística. Não fosse a contradição da tinta dos carimbos "Aqui poderia viver gente" estampados na decadência quase poderíamos pensar que se conservam assim como se conservam ruínas antigas. Os meus filhos não se cansam de me lembrar como Lisboa é bonita, chamando-me a atenção para pormenores de fachadas, perguntando-me pela identidade das estátuas, as suas vozes sobrepondo-se à voz enfadonha do GPS. Toda a cidade está pachorrenta, cheia de uma paciência que me parece tão incomum enquanto aguarda o veredicto de uma troika. Nem as buzinas que os lisboetas parecem adorar são actos de agressão, antes meros avisos de presença. Estou aqui. Já te vi. E sorriem, acenam. Uma infinidade de gestos simpáticos. Ninguém poderá nunca desprezar um povo assim.

Há um fim de tarde para gastar sob um céu de cal e reparo com estranheza que está mais frio que no Norte. Os rapazes querem ver os Jerónimos e a Torre de Belém. Vão vocês que eu tenho muito frio e fico a observá-los enquanto vão tocar as pedras; para se certificarem, talvez, de que ainda nada se desvaneceu.

2 comentários:

Anónimo disse...

Hei erittäin kiva blogi! Mies .. Kaunis .. Amazing .. Aion kirjanmerkki blogiisi ja toteutettava syötteitä myös ...

wing disse...

Não sei o que esse anónimo disse, mas penso que devo ser - gosto deste blog!
Eu também.