sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A irmandade que não é assim tão irmã

A Irmandade Muçulmana (IM) que no seu programa político, ainda em fase de discussão, inclui uma cláusula segundo a qual cerca de 51% da população (mulheres e cristãos) não poderão candidatar-se à presidência do Egipto, enfrenta divisões internas. Uma parte dos irmãos está contra essa proibição.

“We will deal with the Muslim Brotherhood party platform [o partido da irmandade recentemente criado] in light of the events and changes [in the political situation] because life changed a lot and everyone must admit this. The situation before 25 January is very different from the situation after 25 January.” - Saad Al-Husseini, membro da IM.

Alguns irmãos já perceberam que terão de se adaptar às novas condições para evitar a debandada dos mais jovens e das mulheres. Estes poderiam engrossar o partido Wasat liderado por Abouel Ela Madi, ex-membro da Irmandade, que defende a total igualdade entre muçulmanos e cristãos, assim como o direito das mulheres e cristãos a ocuparem os cargos mais altos, incluindo a presidência.

For the sake of justice and impartiality, let us talk about regulations that should be applied to all Egyptians rather than just Islamists. First, any party should not have proselytizing activities. Second, it should accept the rules of democracy, which means it should not discriminate against citizens on basis of religion, sex, ethnicity or wealth. It should have neither military nor paramilitary militias and should receive no money from abroad. It should not have members who engage in combat outside Egypt. All party accounts should be transparent and monitored by the Central Auditing Organization. - Abouel Ela Madi.

Apesar de por cá muito se falar da suposta incapacidade dos egípcios resistirem ao apelo retrógrado e sexista da Irmandade Muçulmana, a imprensa egípcia aponta para o seu declínio se optarem pelo conservadorismo. O que parece mais certo é a IM não resistir aos egípcios.


sábado, 19 de fevereiro de 2011

as iranianas estão sempre a aprender

"Feminism, at first, revolted against capitalism and materialism, because they crushed the reality of woman; later, however, Zionists shifted its course and turned it into an opposition force between women and men, whereas the two complement each other" - Ahmadinejad




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

to mubarak

Uma nova palavra foi adicionada ao Oxford Dictionary.

Mubarak (v.): To stick something, or to glue something.

Example: “I will punch you and mubarak you to the wall”; or “You can mubarak the pieces to hold them together”.

Esta é uma das piadas que circulam nas ruas do Egipto.

A beginning is the time for taking the most delicate care that the balances are correct. This every sister of the Bene Gesserit knows.

Frank Herbert, Dune

Egipto, 11 Fevereiro 2011

O povo que segundo algumas vozes aprecia pouco a democracia e a liberdade, celebra o primeiro passo em direcção ao que mais pediram: democracia e liberdade.



Se havia uma oportunidade para tantos democratas não serem, mais uma vez, hipócritas em relação ao povo do Médio Oriente, era esta. Apesar de os próximos passos estarem ainda longe de serem claros quanto ao desfecho que mais desejamos, este é um momento para celebrarmos. Se não apoiarmos e encorajarmos os movimentos pró democracia que não são islamistas, como é o caso deste, apenas nos resta apoiar ditadores, o que deveria repugnar qualquer democrata convicto.

Parabéns ao Egipto. Um grande dia para eles e para todos aqueles que ainda não perderam a confiança e a esperança naquilo a que Obama chamou a humanidade comum.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

isto está mesmo mau

É preciso estudar para ser escravo e, pior, é mesmo preciso saber muitas coisas (a experiência pessoal não vale nada) antes de concordar com a letra de uma canção.

Sugiro que sigam o conselho da Helena. Andor. Oportunidades não vão faltar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

uma gaiola foi à procura de um pássaro*

Violentamente.

Manifestantes pró Mubarak, montados em camelos e cavalos carregam sobre a população.

*Franz Kafka

as imagens contam a história

Expondo a carcaça de Mubarak.
O desespero e a dor pelos que tombam.

As imagens das mulheres que se manifestam correm mundo satisfazendo a procura. A presença das mulheres afasta receios de uma orquestração islâmica e confirma a determinação do povo egípcio.

O black-out não parou a revolução.

A foto de Mubarak que parece ter sido pensada para ficar a jeito do beijo dos aduladores.

 Fotos daqui.

depois das cassandras, os coveiros

o que a oposição quer

"It will look like Turkey. With a Prime Minister elected between the people and parties and a President, and a very strong Army to serve the constitution and the respect of the constitution -- and the respect of all the international agreements."

"The reality is that for the last 30 years there was no real peace with Israel. There was peace between Mubarak and them, but there was no peace between the nation of Egypt and the Israelis. And if we become elected and come with democracy I think a nation with democracy can talk to another nation with democracy. I'm sure the Israelis want to live in peace; like the Egyptians, like the Palestinians."

"A real democratic Egypt, where the people will choose their leaders, like you have here in the United States...like you in the countries who took their road and right path. We want the right path. We think democracy is our only way out and it's your only way out in the United States or in Europe. Democracy in our country means you will ally the nation, not a man...Choose between the nation and the man."

Mustafa el-Gindy, antigo membro independente do parlamento egípcio e actualmente membro da oposição, numa entrevista ao FP.

afinal o que quer Mubarak?