sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

vida extraterrestre na terra

No laboratório, a bactéria GFAJ-1, quando exposta a um ambiente rico em arsénico e ao mesmo tempo pobre em fósforo, parece substituir este pelo primeiro na construção de partes do seu ADN, mas não o faz no seu ambiente natural que é o Lago Mono na Califórnia. Não se trata de uma forma de vida baseada no arsénico, mas mostra a imensa flexibilidade dos organismos.

Mono Lake

Segundo Felisa Wolfe-Simon, a astrobióloga da NASA que lidera a equipa de investigadores, o ecossistema no Lago Mono poderia ter levado algumas formas de vida a seguir um caminho na evolução diferente daquele que conhecemos. A possibilidade de existir vida extraterrestre em planetas com ambientes diferentes do da Terra e com necessidades químicas diferentes expande-se.

O que nos atraiu nesta história foi o facto de a informação inicial, originada numa fuga, ter propagado a ideia de que a NASA iria anunciar a descoberta de vida extraterrestre.

Apesar de nunca ter visto nenhum sempre gostei de extraterrestres. Hoje leio pouca Ficção Científica, mas era uma das minhas preferidas na adolescência. A FC sempre soube da existência de vida noutros planetas, assim como dos super computadores inteligentes e da ideia da Internet, a qual foi perfeitamente visualizada por Arthur C. Clark em 1964.



Mas a World Wide Web nunca teria sido inventada por um mensch do CERN. Na FC quase tudo acontecia nos EUA. Em miúda perdia horas a olhar para o céu à procura de um OVNI até desistir, convencida de que os ETs não queriam nada com os portugueses. Por cá era mesmo só a Nossa Senhora que descia das nuvens.

Ao visualizar um futuro cheio de promessas a FC não previu o enfraquecimento da nossa capacidade de concentração e que o armazenamento da informação seria um enorme problema, nem tão pouco a propagação viral de factos completamente inventados travestidos de rigor. Estava ainda agora a ler a Cidade de Deus que interrompi para ler mais alguma coisa sobre a GFAJ-1 que por sua vez me levou a um site de cartoons e por aí fora, acabando a escrever este post. Saber coisas é talvez a actividade mais excitante da humanidade, mas precisamos muito de desenvolver uma espécie de hiper concentração e de auto detecção de falsidades naqueles assuntos que nos interessam mas não dominamos. Talvez as gerações que estão a crescer com as novas tecnologias comecem alguma coisa. Toda esta nova forma de estar no mundo deve também estar a mudar estruturas cerebrais e se uma bactéria consegue adaptar-se a novos ambientes, incorporando substâncias tóxicas no seu ADN de formas que antes não fazia, talvez nós possamos fazer o mesmo com a Internet.

Apesar de todo o nosso interesse no ET, a Terra ainda está cheia de mistérios e esta descoberta deveria ser tão fascinante como a descoberta de vida noutros planetas, ou até mais. O ET pode ser inteligente o que, segundo Stephen Hawking, é um perigo. Aconselha a humanidade a não tentar atrair as suas atenções porque, olhando para nós próprios, a inteligência é capaz de todas as crueldades e não há qualquer motivo para esperarmos que os alienígenas sejam melhores. De facto, olhando para a história da humanidade, um dia destes um Cristóvão Colombo galáctico, seguido pela escravatura, doenças, genocídio e um livro sagrado ditado por um deus furioso com a humanidade por esta se ter desenvolvido sem a sua ajuda, poderá descer num feixe de luz lá de cima e a culpa será toda nossa. Por outro lado, não é espantoso que o destino da vida pareça ter sido sempre o de se voltar para o infinito, para as estrelas de cujo pó somos feitos? Pulvis es, et in pulverem reverteris, mas somos nós que intencionalmente caminhamos para ele.


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