sábado, 6 de novembro de 2010

abençoada preguiça

A preguiça não é um defeito, é uma qualidade. O nosso problema é não sermos tão preguiçosos como um sueco ou um alemão. É por serem preguiçosos que são tão produtivos. Um alemão está sempre a pensar em formas de trabalhar o menos possível o que o torna criativo, eficiente e bem pago. Trabalha menos e produz mais. Nós trabalhamos para aquecer.


5 comentários:

Helena disse...

A minha modesta contribuição para o debate: não sei se é preguiça, ou capacidade de organização e respeito pelo próximo. Um exemplo simples (e que bem conheço, eu pecador me confesso): ao chegar atrasados, estamos a fazer os outros perderem o seu tempo. Uma sociedade que aceita o atraso como algo natural não pode ir muito longe, devido aos seus efeitos multiplicadores de perda de eficiência.
Uma sociedade que não tem os autocarros a andar à hora é uma sociedade que já começa mal o dia.

Por outro lado, estas sociedades super eficientes, onde se separa ferreamente o trabalho do prazer, são as sociedades que discutem o work life balance e têm demasiadas pessoas em burn out.

Mas depois penso no dono de uma empresa de confecções, um homem que trabalha 18 horas por dia. Se fosse alemão, tinha 3 pessoas a fazer o trabalho dele. Por isso é que não há fábricas de confecções na Alemanha - para respeitar os horários e as tarifas de trabalho, não era possível coser jeans a 1,80 € a peça.

E penso numa empresa portuguesa que conheço bem, e foi comprada por uma alemã. São os portugueses que produzem boa parte dos lucros dos alemães. Na Alemanha super-eficiente não seria possível produzir tanto por tão pouco dinheiro.

Parece-me - sem pensar muito - que os movimentos sindicais tiveram um papel fundamental nestas evoluções, que a aposta na educação também é um dado importantíssimo, e que, além disso, o erro português é especializar-se nos sectores com menos vantagens comparativas. Nós vivemos de sapatos, confecções e conserva de tomate, onde outros vivem de tecnologia e investigação.
Já é assim há séculos: no tratado de Methuen acordámos trocar o nosso vinho por tecidos ingleses.

(Um dia destes, temos de dar as duas uma voltinha de táxi...)

maria n. disse...

Helena,
Vamos lá andar de táxi :-)

A minha nota não pretendia ser uma análise do muito que nos separa, neste caso, dos alemães. Resulta da minha observação directa das duas realidades.

Há uma série de particularidades nossas, como essa de nunca chegarmos a horas, que contribuem para a nossa baixa produtividade, mas a preguiça não é uma delas, como exemplificas com o caso do empresário que trabalha 18 horas por dia. Que produtividade tem ele ao fim de 9/10 horas de trabalho? Se fosse um bocadinho preguiçoso, dividiria o trabalho com outra pessoa e, às tantas, aumentava a produtividade desse trabalho.

Nós especializámo-nos no que se vendia que eram sapatos e têxteis, sem nunca nos preocuparmos com a inovação e a criatividade. Aqui perto há uma fábrica de calçado que nunca passou por nenhuma crise, manteve-se e expandiu-se enquanto as outras faliam. Produz calçado de senhora com uma marca própria muito famosa. Enquanto andou anos a produzir a marca dos outros, preocupou-se em aprender com os seus clientes, em dar formação aos seus funcionários, em contratar serviços de consultores técnicos para lhe organizarem a produção, etc. A competição, primeiro dos países de leste, e depois da Ásia, levaria inevitavelmente à descida da competitividade mas este caso, e mais alguns, mostram que poder-se-iam ter evitado mais falências se tivesse existido um pouco mais de visão.

Tentou-se fazer alguma coisa, mas fez-se sempre mal, como os fundos perdidos que enriqueceram alguns mas não salvaram empresas nem empregos. Sobre a formação, conheço algumas histórias muito reveladoras, casos de formadores (pagos pelo estado) que sabiam menos do que os formandos (um pouco como em alguns cursos das Novas Oportunidades). Era preciso dar emprego aos jovens licenciados mas estes saíam das universidades sem qualquer preparação para o meio industrial. Os formandos chegavam às empresas sem nunca terem visto coisas tão básicas como uma Guia de Remessa. Conhecedora da realidade alemã, o contraste era abismal. Uma tristeza de encher o coração, a nossa pobreza que era em tudo. Tudo.

É sempre bom investir na tecnologia e na investigação, mas tenho dúvidas se iremos a tempo. A educação ainda tem muito caminho para andar. É preciso que quem educa saiba educar.

Enfim, dava um livro: Observações Acidentais do Quotidiano de uma Minhota

Helena disse...

quanto achas que custaria uma viagem de táxi do Minho até à Conchichina? Acho que conversa não nos vai faltar...

maria n. disse...

Não nos faltaria não, Helena. Táxi seria muita caro, mas podemos ir de comboio e agora lembrei-me do suplício que a minha irmã suportou no expresso Bucareste - Istambul. Acho melhor darmos uma voltinha aqui pelo Minho...

Anónimo disse...

Hey, I am checking this blog using the phone and this appears to be kind of odd. Thought you'd wish to know. This is a great write-up nevertheless, did not mess that up.

- David