sexta-feira, 3 de setembro de 2010

na palma da mão

Proibir alguma coisa, deportar milhares de pessoas (que daqui a nada estarão de volta), retirar a nacionalidade francesa a quem viver em poligamia, debates sobre identidade…
Somos muito pouco exigentes com os nossos governantes. Não exigimos medidas que resolvam os nossos problemas, exigimos vingança e mão pesada sobre os que se assemelham ao inimigo, ao gajo que nos roubou o portátil. Talvez outra coisa não fosse de esperar de uma cultura que se informa nos tablóides, se aconselha nos horóscopos e nas médiums, se distrai com telenovelas, desvaloriza a educação e o conhecimento e transforma as suas escolas e universidades em linhas de produção para o desemprego.

Achamos mais provável os islamistas converterem as mulheres europeias do que a Europa converter as mulheres dos islamistas. Partilhamos o pesadelo de Sarazzin de uma Europa cheia de meninas com um lenço na cabeça que acreditamos estar a um passo das pedras, mas recusamos associar-nos a iniciativas contra a lapidação, porque é imperialista, porque é a cultura deles oprimir as mulheres, porque não muda nada. A cultura europeia deixou de acreditar em si própria e agora o país que nos deu a liberdade, a fraternidade e a igualdade deporta ciganos, cidadãos da União Europeia, eternamente remetidos à categoria de Morlocks da Europa.

Estamos tão longe de realizar o nosso potencial como indivíduos capazes de construir um destino comum que seja de facto livre, fraterno e igual para todos. Talvez nunca chegaremos lá. Talvez uma cigana o tenha lido na palma da mão.

4 comentários:

CCF disse...

Concordo tanto consigo!
E gosto que esteja de volta...
~CC~

maria n. disse...

Obrigada CC e também gosto que estejas de volta (isto não é a mesma coisa sem aqueles que gostamos de ler).
Abraço.

cs disse...

eu, também concordo tanto consigo que parece que me leu os pensamentos.
Triste Europa esta que de grande se vai transformando em alguma coisa "pouconhinha"

:)

cs disse...

*poucochinha