quinta-feira, 30 de setembro de 2010

the girl effect

«No século XIX o desafio moral primordial era a escravidão. No século XX, era o totalitarismo. Neste século, é a brutalidade exercida sobre tantas mulheres e raparigas em todo o mundo: o tráfico sexual, ataques com ácido, queima de noivas e violações em massa.»

Assim abria este ensaio publicado no ano passado no New York Times, baseado no livro Half the Sky: Turning Oppression Into Opportunity for Women Worldwide, de Nicholas D. Kristof e Sheryl WuDunn.

Este século é sem dúvida o século das mulheres. Elas representam 70% do trabalho humano que suporta as famílias, as comunidades e a economia mas são também elas quem mais sofre a opressão e a descriminação que as exclui da educação e dos cuidados de saúde.

Estudo atrás de estudo relacionam o bem-estar das raparigas com o desenvolvimento económico e a melhoria das condições de vida nas suas comunidades. Elas aplicam melhor os seus salários (compram uma rede para proteger os filhos dos mosquitos que propagam a malária, por exemplo, em vez de gastarem esse dinheiro em bebidas alcoólicas ou tabaco), investem mais na educação dos seus filhos contribuindo, com o seu próprio esforço, para a redução da pobreza e para a sua emancipação.

Esta ideia, The Girl  Effect, que já tinha corrido pela Internet através de um vídeo realizado há cerca de dois anos, está de volta com um novo vídeo. Uma oportunidade para relembrar um projecto que merece todo o nosso apoio. Por elas, por nós, pelos nossos filhos, pelas nossas filhas.



4 comentários:

Helena disse...

Este projecto parece muito bom - obrigada pela divulgação!

Dito isto, um pequeno apontamento à margem:
coitados dos homens... se fossem negros, ou ciganos, ou judeus, ou estrangeiros, ou sei lá o quê, ninguém se atreveria a generalizar desta maneira: "em vez de gastarem esse dinheiro em bebidas alcoólicas ou tabaco".
Como se os homens fossem todos seres egoístas e irresponsáveis.
Parece-me que estamos a assistir a uma reviravolta - de dominador a estigmatizado.

maria n. disse...

Helena, gosto muito de ver por aqui.

Atrevem-se sim. Estamos sempre a vê-las em todo o lado a propósito de tudo, e todos as fazemos ainda que inconscientemente. Há generalizações inteligíveis e há as que fazem de facto parte de um processo de estigmatização, o que não é este caso. Trata-se de um exemplo que completa a ideia anterior. Achas que todas as mulheres compram uma rede, incluindo as que vivem em locais onde elas não são necessárias?

A intenção (julgo que isso é óbvio) não é estigmatizar os homens. Como poderia ser, se a melhoria das condições de vida delas beneficiará também os homens?

blue disse...

fantástico.

maria n. disse...

Olá, Cláudia :-)

Uma das coisas que me agrada neste projecto é ele não se limitar ao que normalmente se designa por Terceiro Mundo. Também actua nas sociedades ocidentais, nas bolhas de exclusão que existem entre nós.