sexta-feira, 14 de maio de 2010

falamos pouco disto

Julgo que nem reparamos nisto, mas talvez devêssemos reparar. O Papa veio e foi-se. Houve debate, houve missa, houve quem se chateasse com os incómodos do trânsito, católicos contra a tolerância de ponto, ateus que fizeram circular formulários para a desvinculação da igreja católica, houve preservativos e fiéis que recolheram um número suficiente para fazer candeeiros, salamaleques de políticos, a costumeira referência ao aborto e casamento gay, e até houve uma dose de Fátima Campos Ferreira superior à que qualquer ser humano pode suportar, para além do Padre Borba que vê sempre o lado positivo das coisas, até no assassinato do Papa, mas demos muito descanso às forças de segurança cujas operações foram observadas pela polícia britânica com horror. Então não é que deixamos Bento XVI pertinho do povo à distância de um ovo? E ninguém lhe atirou nenhum.

3 comentários:

Helena disse...

Também se fala pouco disto: a minha vizinha minhota, uma daquelas mulheres típicas do Portugal profundo, que faz do cuidado das campas familiares a ocupação mais digna da semana, e vai à missa todos os domingos nem que seja de rastos, comentava ontem que gostou muito do Papa, e que também gostava muito do outro, mas este parece um rapazinho, e que gostou muito de ouvir o que ele disse. Enfim, dizia ela, veio criticar o aborto e o casamento daqueles ho-ho-como_é-que-se-diz?, mas cada um tem o direito de dar a sua opinião e nós gostamos dele mas não somos obrigados a ir atrás dele em tudo...

Confesso que fiquei pasmada.

maria n. disse...

Eu não fico surpreendida com o que ela disse, Helena. Talvez porque sou minhota e vivo no Portugal profundo :-) (isso da profundeza do país é todo um tratado). Já tinha escrito qualquer coisa sobre isso.

snowgaze disse...

Essa frase do ovo é fantástica. Resume, na minha opinião, muito do que é ser português. Tanta gente indignada, o homem mesmo ali a dar sopa, e ninguém se lembra sequer de atirar qualquer coisa (ocorreu-me agora o sapato do outro).