quinta-feira, 20 de maio de 2010

burca à la française

Depois da Bélgica, a França prepara-se para proibir globalmente o véu integral apesar do parecer negativo do Conselho de Estado segundo o qual a lei viola a Constituição Francesa. A Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa também se manifestou contra a proibição global do véu integral.

A proibição permite às pessoas sentirem que estão a fazer qualquer coisa de bom pelas mulheres e pela igualdade, mas a lei em nada vai melhorar a situação das que são de facto sujeitas à violação dos seus direitos (e não é o caso de todas as que usam o véu integral). Oferece ao estado uma saída face ao extremismo que vai ganhando terreno nos guetos onde despeja os imigrantes e os ignora, saída essa que poderá servir de álibi para não se empenhar a fundo no terreno na construção de um relacionamento igualitário entre homens e mulheres. Ao retirar o que na nossa cultura é um símbolo da opressão feminina da rua, cria a ilusão de uma sociedade igualitária - o que não se vê não existe. É como proibir os grilhões e esperar que isso acabe com a escravatura.

3 comentários:

CCF disse...

Tenho tantas dúvidas sobre isto...qualquer das posições me parece má (proibir e deixar).
~CC~

maria n. disse...

Eu julgo que a proibição em certos locais, por motivos de segurança, identificação e de respeito pela laicidade do estado, assim como a proibição de burcas nas crianças, a par de uma política eficaz de integração e de educação, seria o ideal. Isto dificultaria bastante o uso da burca sem eliminar totalmente a liberdade de acção, das mulheres que a usam por decisão própria, por um lado, e das que o fazem sob coacção e que seriam encerradas em casa, pelo outro.

Mas não é nada fácil, CC, ter certezas nesta questão quando a preocupação pelos direitos da mulher (de todas as mulheres) é genuína.

Fatima disse...

Há poucos dias li um artigo, já não sei onde, sobre o novo tipo de emigração na Europa - pessoas que não fazem o mínimo esforço para se integrarem na cultura das sociedades onde se radicam, mantendo as suas tradições e cultura (se calhar com demasiado alarde!) - algo inédito e extremamente estranho para os europeus. Defende o autor que os europeus não estão habituados a aceitar as diferenças destes novos outros (pq os outros, antigamente, aceitavam inquestionavelmente...«inglesando-se» ou «afrancesando-se», etc) e isso gera toda esta problemática xenofoba. Penso que deverá haver respeito e aceitação equilibrada entre as partes e não é a proibir seja o que for que vamos lá.