domingo, 24 de janeiro de 2010

feminismo

Eu não sou feminista, mas as mulheres têm de ter as mesmas oportunidades que os homens. Não sou feminista mas as mulheres têm de ganhar o mesmo que os homens. Não sou feminista mas sou contra o sexismo. Estas e outras frases semelhantes, que se podem resumir numa só - não sou feminista, mas sou a favor da igualdade dos géneros - são afirmações que nos habituamos a ouvir à nossa volta no meio dos aplausos de interlocutores masculinos.

Ao contrário dos outros “ismos” o feminismo tem a particularidade de poder ser definido e vivido individualmente e ao mesmo tempo ser visto como uma ameaça quando se assume como colectivo. Cada mulher define-o como quer, como lhe dá mais jeito, retira dele as partes que lhe interessam e recusa as que estorvam os seus objectivos pessoais ou que esbarram nas suas convicções. Podemos até tirar-lhe a palavra. Podemos dizer que somos femininas e não feministas e assim ridicularizar quem acredita que o primeiro não existe no segundo. Ficam à toa sem saber como atacar aquilo que é na sua essência feminista mas já não parece feminista porque se declara feminino.



Por cá quase ninguém milita no feminismo mas toda a gente milita na feminilidade. De facto, o feminismo tem de tal forma má reputação (em parte, graças ao estereótipo representado na imagem), que a coisa mais feminista a fazer no Portugal de hoje talvez seja proclamar a feminilidade como antónimo do palavrão. Libertem-se pois as oprimidas pela palavra feminismo, mas não sejam estúpidas. Não se ponham a definir a feminilidade pois correm o risco de acabarem a comparar o tamanho dos pêlos com as próximas gerações enquanto eles continuam a passar-vos a perna.

7 comentários:

snowgaze disse...

feminista sem pêlos. :)

snowgaze disse...

(eu)

Berta disse...

Eu gosto da palavra e de dizê-la sempre que necessário, mesmo que embarace os meus colegas engenheiros, homens invariavelmente.

maria n. disse...

Snowgaze,
Também não sou adepta dos pêlos em algumas partes do meu corpo :)

Berta,
Há um estigma na palavra e é engraçado como as mulheres mais jovens que se assumem como feministas também se sentem embaraçadas quando o fazem. Mas o feminismo é a defesa da igualdade de direitos para ambos os géneros e ninguém deveria sentir-se envergonhado por defender essa igualdade.

ecila disse...

clap, clap, clap (vou linkar sim?)

maria n. disse...

Com certeza, Ecila :)

Carlos Azevedo disse...

Como movimento histórico que contribuiu para a emancipação da mulher no mundo ocidental, é inegável a sua importância e o seu valor. Na acepção «homens e mulheres iguais em direitos e oportunidades», até um homem pode/deve ser.