domingo, 29 de novembro de 2009

King & King


O livro conta a história de um príncipe que procura alguém com quem casar. São-lhe apresentadas várias princesas por quem ele não sente qualquer entusiasmo. Uma delas vem acompanhada do irmão e é por este que o príncipe se apaixona. Casam-se e são felizes para sempre.

Na opinião de algumas pessoas, ler esta história aos nossos filhos na escola é uma das consequências catastróficas da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entendem que é preciso proteger as crianças da imoralidade que é o amor destes dois príncipes e exigem um referendo ao casamento, que vêem como uma espécie de conspiração gay que inclui a adopção de crianças e a educação sexual nas escolas com o objectivo de destruir a família tradicional, para impedir que essa Hidra de Lerna infecte as cabeças dos mais jovens.

Esta estória transmite a ideia de que a felicidade dos que não se encaixam no padrão da maioria é uma aspiração tão humana como a dessa maioria. Como é possível ver através dela – como faz o casal no vídeo incluído neste texto – a introdução da sexualidade nas escolas e não ver o mesmo nas estórias em que o príncipe casa com uma princesa? E como é que se “protege” uma criança da descoberta de uma realidade, que um dos seus colegas de turma tem dois papás ou duas mamãs ou que a mamã tem uma namorada e o papá tem um namorado? Não será necessário exigir também que esses meninos sejam censurados, que não falem da sua família na escola, que sejam proibidos de desenhar o agregado familiar?

É compreensível que as pessoas se assustem quando uma realidade subterrânea, que toda a gente sabe que existe mas prefere ignorar, passa a ser assumida e integrada com honestidade no nosso quotidiano. O casamento é um contracto mas para muita gente está carregado de simbolismo emocional. Não é fácil aceitar um modelo diferente daquele no qual fomos educados e no qual educamos os nossos filhos, mas o casamento entre pessoas do mesmo sexo acabará por ser uma realidade. O desafio não é tentar impedir uma inevitabilidade mas sim o de nos educarmos para ela.

5 comentários:

Joana Lopes disse...

Vou linkar no Facebook.

maria n. disse...

Obrigada Joana :)

CCF disse...

Estou há muito preparada...e a preparar os meus...bonita a história.
~CC~

blue disse...

pertinente. nã há pachorra para a demagogia que pulula por aí. será que ainda não perceberam de que o país já não é (felizmente!) o que era?

maria n. disse...

Eu também CC :)

Parece que não perceberam, Cláudia, e por vezes, quando leio os argumentos de algumas pessoas, fico surpreendida com a ginástica mental que fazem para justificar o preconceito sem nunca admitirem que se trata de preconceito.