terça-feira, 17 de novembro de 2009

emancipação


cartoon de Mordillo

Fui comprar um pé de alface ao supermercado da dona Conceição e dei um salto ao café da Prazeres. Tinha a televisão sintonizada para a Praça da Alegria onde o Jorge Gabriel e a Sónia entrevistavam dom Manuel Martins sobre o declínio da taxa de natalidade na Europa. Sempre fui defensora do direito à opinião de toda a gente mas, carácoles, porque é que as pessoas gostam tanto de pedir opinião sobre este assunto a quem se recusa dar qualquer contributo para o aumento da natalidade e tem um medo profundo que ela seja compensada com a imigração de gente não cristã? Adiante. A emancipação da mulher tem muito a ver com o declínio da taxa de natalidade, pois tem, mas dom Manuel, talvez adivinhando a grande alhada em que se meteria se a criticasse, não a criticou mas saiu-se com esta:

«Emancipação é uma palavra esquisita. Faz lembrar o rapaz que ficou preso na janela e depois teve de ser libertado.»

É uma forma peculiar de ver as coisas. Imagine-se a notícia nos jornais: “O rapaz que foi assaltar o supermercado acabando literalmente preso com o rabo de fora foi emancipado pelos bombeiros.”

Ah, grandes bombeiros emancipadores.

3 comentários:

ecila disse...

hahaha, estranho que a palavra emancipacao o tivesse lembrado do rapaz entalado ;-)

Talvez se existissem melhores condicoes para ter filhos, como por exemplo, mais creches, mais apoio familiar, mais igualdade em termos de tarefas domésticas, uma politica diferente de encarar a maternidade a nivel profissional, etc, as coisas nao fossem o que sao. Ainda hoje me perguntaram num formulário de arrendamento de casa se pensava ter filhos num futuro próximo, isto na Alemanha. É preciso lata. Ao lado da pergunta se tinha animais domesticos (outro grande problema para conseguir casa). Esta vergonha é quase por todo o lado. E depois admiram-se de as pessoas nao terem filhos.

blue disse...

bem visto.

maria n. disse...

Ajudava sem dúvida.

Conheço essa hostilidade para com quem tem filhos ou anda a planear tê-los, quase como se fosse uma escolha anti-social. Em Portugal nunca me apercebi de nada assim mas provavelmente também acontece.