quinta-feira, 6 de agosto de 2009

sonhos

Os sonhos da noite têm poder sobre o dia.
Subi e desci o dia matutando na anormalidade que parece emprestar valor aos sonhos, como se fosse chave de uma verdade demasiado esquiva para me ser revelada quando estou acordada. Empédocles encontrou a verdade num sonho, eu encontro peças misturadas de vários puzzles que encaixam mal umas nas outras; formam composições difíceis de destrinçar mas que recusam desaparecer exigindo interpretação. Arreliam outros pensamentos de maior consequência expulsando-os para lugares recônditos da minha mente.
A minha mãe interpretava os sonhos. Sonhar com os mortos era bom porque os víamos com vida, falávamos com eles e eles connosco, matávamos saudades na sua companhia. Sonhar com a morte dos vivos significava vida longa para eles. Sempre gostei dessa forma de ver a morte, uma continuidade que se prolonga nos sonhos (terá sido aí que nasceu a crença na vida depois da morte?)
Os dia da Adeline sem o Karl seriam suportáveis se passasse as noites com ele. Fingiria que sonhava quando estava acordada e que estava acordada quando sonhava, como Chu Tse que sonhou que era uma borboleta e interrogava-se, uma vez acordado, se não seria uma borboleta a sonhar que era um homem. Adeline queria o Karl nos seus sonhos, queria viver com ele o tempo de vida que lhe restava. Ela queria ser uma mulher da Tikopia porque elas faziam amor com os espíritos durante os sonhos.

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