quarta-feira, 12 de agosto de 2009

nesta guerra elas não escolhem lados

«You want me to tell you what my husband thinks? My husband is not secretary of state, I am. So, you ask my opinion I will tell you my opinion, I am not going to be channeling my husband.» - Hillary Clinton respondendo à pergunta de um estudante congolês.

Há alguma especulação sobre o que o rapaz perguntou. Parece que se referia a Obama e não ao marido. O erro terá sido da tradutora que confundiu os presidentes. De qualquer forma, ela reagiu ao que ouviu e deu uma grande resposta. Mas por muito folclórico que o episódio seja, servindo de pretexto a alguma imprensa para especular sobre as supostas divergências entre o casal Clinton e de outra mais sexista para a atacar, o que a Hillary foi fazer ao Congo é muito mais importante: confrontar a impunidade dentro de uma cultura militar de violência sexual que não poupa crianças nem idosas e que vê as mulheres como propriedade a pilhar junto com os bens dos derrotados. Entre os criminosos encontram-se oficiais e soldados do exército congolês que é financiado pelos EUA e pela ONU. O encolher de ombros e a negligência começa por cima e vai descendo de patente, transformando as tentativas de responsabilização legal dos criminosos num circo.

As mulheres não escolhem lados no conflito. São vítimas dos dois. Hillary não é um canal de comunicação para as opiniões do marido, como deixou bem claro, mas empenha-se, felizmente, em sê-lo para as mulheres que visitou e escutou, o que é consistente com a sua promessa de marcar a política norte-americana para os assuntos estrangeiros com uma atenção especial aos problemas das mulheres. Para além de uma voz ela está também numa posição em que pode fazer a diferença. Oxalá o plano de 17 milhões de dólares que anunciou para combater a violência sexual no Congo seja o início do fim daquilo a que ela chamou "o mal na sua forma mais ignóbil". Oxalá assim seja.


2 comentários:

ecila disse...

clap, clap, clap...oxalá, Maria N., oxalá :-(

maria n. disse...

Tenho esperança que alguma coisa mude, Ecila. Veremos.