segunda-feira, 13 de julho de 2009

judenrein

Quando Frank-Walker Steinmeier, ministro dos negócios estrangeiros alemão, ouviu Benjamin Netanyahu comparar a retirada dos colonatos israelitas do West Bank ao Judenrein, baixou a cabeça. Bibi, como é conhecido Natanyahu, já tinha encorajado os membros do seu gabinete a usar esta palavra na defesa dos colonatos judeus. Quando os objectivos esbarram na oposição da comunidade internacional que obriga a um passo atrás, o recurso ao abuso da linguagem e retórica parece uma boa saída. Não chega recuperar da rua a “semelhança” da exigência palestina com a limpeza étnica dos judeus, é preciso obter também concordância do resto do mundo, ainda que por um baixar da cabeça silencioso e envergonhado do representante do país que carrega a culpa do Holocausto. O silêncio estava garantido e Bibi marcou pontos na coligação que lidera. Mas o embaraço e assentimento de Steinmeier não são extensíveis ao resto do mundo que tem uma dificuldade crescente em conciliar a auto-imagem de Israel como uma nação de vítimas, com o poderio militar que usa sobre outro povo. Apropria-se de termos associados ao Holocausto para tentar vender a ideia de um absoluto moral no conflito israelo-palestiniano que defina o bem e o mal, os maus e os bons, onde ele, por força das suas origens e da história, se vê como representante das vítimas, logo, dos bons. Como político “cheio de hubris”, como em tempos o descreveu o diplomata norte-americano Dennis Ross, Bibi sabe que a credibilidade de um disparate está proporcionalmente ligada à frequência com que se o repete. Continuará a usar e a abusar do passado para justificar as suas ideias políticas com um cinismo que desonra a memória das vítimas do Holocausto.

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