quarta-feira, 10 de junho de 2009

Zahra Rahnavard


«As mulheres deveriam ter os mesmos direitos dos homens», lê-se nas palmas desta apoiante de Mir-Hossein Mousavi. Foto do LA Times.

«Today we can close our eyes and see ourselves. Never have women had so much self-awareness. Women have always been just under the skin of history. Today, we assert ourselves.» - Zahra Rahnavard

Pela primeira vez desde a revolução iraniana, a mulher de um candidato assume um papel activo na campanha presidencial. Zahra fala em liberdade de expressão, mais direitos para as mulheres nos tribunais de família, melhores oportunidades na educação e emprego e prometeu que o marido, se eleito, incluiria mulheres no seu governo. Os homens, sobretudo das gerações mais jovens, parecem estar de acordo. Fartas de serem tratadas como cidadãos de segunda, da polícia da moral, zelosa no controle da "modéstia feminina", e das limitações que lhes são impostas, as iranianas depositam muita esperança em Zahra, pela sua mensagem, mas também por aparecer ao lado do marido - e sem ele - na campanha. Na ausência de uma candidata, elas querem uma primeira-dama que dê visibilidade às mulheres (a mulher de Ahmadinejad nunca é vista), mas não se ficam por aí. Exigem acesso ao emprego em pé de igualdade com os homens. Apesar de a maioria dos licenciados serem mulheres, os homens continuam a ter preferência no mercado de trabalho. As que conseguem um emprego compatível com as suas qualificações são impedidas de o exercer na totalidade, como é o caso das arquitectas que não podem acompanhar a construção dos edifícios que projectam.

A participação activa de Zahra na campanha eleitoral do marido está a dar voz às reivindicações femininas levando outros candidatos a seguir as pegadas de Mir-Hossein Mousavi, adoptando também eles um discurso favorável às mulheres, o maior movimento social no Irão. Ahmadinejad parece ter percebido o tamanho dessa força e respondeu fazendo desaparecer temporariamente a detestada polícia da moral das ruas, como testemunham os jornalistas estrangeiros no país. Por todo lado se vêm mulheres esticando os limites impostos ao vestuário, usando lenços coloridos, mal cobrindo as cabeças, e roupas, também coloridas, que aparecem por baixo do chador que vai ficando mais curto.

"Rahnavard, Rahnavard, igualdade entre homens e mulheres!" cantam os apoiantes nos comícios, mais interessadas em ouvir Zahra do que o marido a quem falta carisma. Mas Ahmadinejad conta também com muitas mulheres nos seus comícios, estas vestidas de preto da cabeça aos pés, corpo e cabelo bem escondido pelo chador. O contraste entre os comícios é enorme. Nos de Ahmadinejad, grita-se "morte a Israel" e "morte aos Estados Unidos". Nos de Mousavi grita-se "morte às batatas" numa referência ao hábito de Ahmadinejad oferecer sacos de batatas aos pobres em troca de votos.

Parece claro que quem ganhar as eleições terá de fazer reformas que vão de encontro aos desejos da população mais jovem (mais de 60% tem menos de 35 anos), homens e mulheres. Não são apenas elas que pedem mudança e direitos iguais. Eles também.

Power of women in Iran's election - BBC
The Woman Ahmadinejad Should Fear - Spiegel
Iranian presidential candidate's wife takes the spotlight - LA Times
Can Iran’s young ring the changes? - Times Online



5 comentários:

snowgaze disse...

obrigada.

CCF disse...

Gostei de saber, fico a torcer por ela...e até tenho pena de não poder ir lá votar.
~CC~

maria n. disse...

De nada, snowgaze :)

CC, eu também. Espero que Ahmadinejad perca e que os resultados não sejam falseados.

cláudia disse...

é tão bom poder ter esperança, vê-la renascer nas pequenas grandes coisas que vão acontecendo, mesmo sabendo que é tudo tão frágil...

maria n. disse...

Sim, é tudo muito frágil e difícil. As exigências políticas e sócio-culturais das mulheres, se postas em prática, podem significar o fim do regime islâmico. Os líderes religiosos tentarão bloquear essas mudanças e, de facto, tudo parece apontar para o falseamento dos resultados, tendo em conta a rapidez com que se atribuiu a vantagem (impressionante) de Ahmadinejad na contagem de votos.
Apesar disso, para os activistas dos direitos das mulheres, o facto de todos os candidatos, com excepção de Ahmadinejad, terem incluído na campanha os direitos das mulheres e das minorias e a liberdade dos cidadãos, é o resultado dessa luta que tem sido feita, sobretudo da campanha Um Milhão de Assinaturas. Elas têm lutado e continuarão a fazê-lo.

Para nós, habituadas ao modo de vida ocidental, essas vitórias podem parecer insignificantes, mas para elas cada pequeno passo é uma renovação da esperança, essencial para que não se deixem cair os braços.