terça-feira, 12 de maio de 2009

Delara Darabi


Pintura de Delara Darabi

Fujo de histórias assim. Recuso sentar-me frente a frente com a minha impotência, como duas colegas da escola que de vez em quando tropeçam uma na outra, se beijam e conversam frente a uma chávena de chá. As palavras colam-se na boca, qualquer coisa impele um fluído sanguíneo e não sou eu, não sou eu quem controla. Um calor nas faces, um calafrio na coluna vertebral e os poros na nuca que se apertam e deixam de respirar. Delara deixou de respirar, suspensa no nó corredio do carrasco. Poderia ser a história de Delara, poderiam ser tantas outras histórias. Irrompem pelas nossas vidas, suspendendo-nos o movimento por uns minutos, um vago vislumbre da completa insanidade que é a vida; e logo a colher de pau regressa ao estrugir das carnes dentro da panela, o gato ao miar implorando a sua parte, o relógio numa torre à audível contagem do tempo que falta para a morte.

1 comentário:

CCF disse...

Cortam-nos por um momento a respiração...e depois continuamos a viver.
~CC~