sábado, 18 de abril de 2009

Susan Boyle

De vez em quando o mundo precisa de aliviar a sua consciência e recompensar todos aqueles que maltrata e exclui e fá-lo adoptando a excepção que confirma a regra. A Susan Boyle vai vencer o Britains Got Talent e vai vender milhões de CDs e de objectos onde está escrito Don't Judge a Book By It's Cover e I Dreamed a Dream. Sei de tudo o que rodeia estes sucessos, da exploração dos sentimentos do público através do underdog, de quem todos se riem e por quem se embaraçam, mas que surpreende pelo talento. Sem dietas, botox, depilação, idade considerada apropriada, tinta no cabelo e silicones, sai do fundo do poço para vencer. Arranca-nos lágrimas fáceis quando começa a cantar I dreamed a dream in time gone by. São lágrimas fáceis porque invocam sentimentos depositados muito perto dos olhos.
Tudo isto tem a ver connosco, de uma forma ou de outra; todos queremos ser julgados pelas nossas capacidades e não pelo invólucro embora não hesitemos em embelezar o invólucro porque ajuda e, muitas vezes, é determinante. Emociona aquela voz bonita que sai de um corpo e uma atitude tão anti-indústria da música e do estrelato, para nos provar o quão certeiro é o ditado que diz que as aparências iludem. Mas continuaremos a julgar pelas aparências precisamente porque elas iludem e nós gostamos que nos iludam. Não tenho dúvidas nenhumas quanto a isso.

Susan Boyle no Britains Got Talent

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