sexta-feira, 10 de abril de 2009

calo

Não me fez mal nenhum, nunca o vi em carne e osso, possivelmente é uma excelentíssima pessoa, mas não posso com a imagem televisiva do Paulo Portas. Irrita-me aquele ar de menino arrogante, o penteado, a pose que dá ao discurso, os beijos na cara do povo quando tenta parecer-se com o povo. O único político que sabia ser povo é o Mário Soares. Estava à vontade e nessa vontade não transparecia esforço, ou enfado como acontecia com o Freitas do Amaral que recusou apertar a mão do Sr. Joaquim, que tinha por ele grande admiração e nele grande esperança, depois de os jornalistas terem levantado arraial da praça. Ficou ali especado, o Sr. Joaquim, entre os despojos da campanha, virando as mãos, palmas para cima, palmas para baixo, perguntando aos outros velhos se estavam sujas, as mãos rejeitadas onde se abria um novo sulco, um novo calo. Nunca mais foram as mesmas.

Estou convencida que a terra comeu o Sr. Joaquim na sepultura e deixou o calo na ossatura da mão.

1 comentário:

CCF disse...

Bonita a forma como contaste esta história. E o Sr. Joaquim talvez se tenha arrependido de lhe ter estendido uma mão tão valiosa como era a dele.
~CC~