sábado, 14 de março de 2009






no meu jardim, pessegueiro em flor (esta manhã)

A natureza é um templo onde pilares vivos
Deixam, por vezes, fugir confusas palavras;
O homem passa por lá através de florestas de símbolos
Que o observam com olhares familiares.

Como longos ecos, que ao longe se confundem
Numa tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite e como a claridade,
Os perfumes, as cores e os sons respondem entre si.

Há perfumes frescos como carnes de bebés,
Doces como os oboés e verdes como os prados;
— Outros, ao invés, corruptos, ricos e triunfantes,

Que se expandem como as coisas infinitas,
Como o âmbar, o musgo, o benjoim e o incenso
Que cantam transportes da alma e do sentido.

Charles Baudelaire, As Flores do Mal
original em francês

2 comentários:

Helena disse...

Aqui, das bandas da Sibéria, mando um grande muito obrigada. Já nem me lembrava como são essas cores e essa luz!

Maria N. disse...

Ah Helena, as cores são fantásticas! Tudo muito verde e florido, um calor agradável e noites amenas.
Abraço :)