terça-feira, 3 de março de 2009

denunciador

Se ainda vivêssemos no fascismo ele seria da pide. Tenho a certeza absoluta. Pertencer a uma polícia secreta e opressora requer um certo tipo de personalidade e ele tem-na. Quase toda a vizinhança tem uma história de denúncia anónima para contar. Ele encarrega-se de fazer saber à TVCabo que a vizinha do lado continua a usufruir de um serviço que deixou de pagar. Assegura-se que um carro estacionado no mesmo sítio por mais de três dias seja sinalizado pela câmara para reboque, enquanto lê cuidadosamente tudo o que a dona Conceição colou na montra do minimercado, pronto para chamar os fiscais à mínima infracção. Ele é assim; um denunciador das pequenas infracções do quotidiano. As denúncias são anónimas, mas toda a gente sabe que é ele.

Todas as ruas têm um denunciador. Denunciam tudo, menos o que bate na mulher porque se ele o faz “é porque ela estava a pedi-las”.

9 comentários:

Isabela disse...

Tenho pensamentos semelhantes a este relativamente a alguns dos meus vizinhos. é fácil, para as ditaduras, arranjarem os seus colaboradores.

sem-se-ver disse...

(do 'mundo perfeito' aqui.
daqui para os favoritos.)

Leonardo B. disse...
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Leonardo B. disse...

da origem das espécies de darwin ao final das ditas segundo orwell, é tudo uma questão de minutos, de acordo com a ordem dos tempos...

já há muito, muito tempo cantavam melancolicamente os ebtg:
You try to scare me with stories of knives
Backstreets and razors and alley-cat's cries
And if you're heartless and hard
Well this made you what you are
...
You're a little Hitler now
And you'll grow up heaven knows how

Little Hitlers, little Hitlers
Grow up into big Hitlers
Look what they do"


Leonardo B.

www.nalinhadasfronteiras.blogspot.com

Maria N. disse...

É fácil arranjar colaboradores e assegurar o prolongamento das ditaduras. Há sempre gente disposta a tramar o vizinho.

Helena disse...

Impressiona-me muito essa ordem que vejo ainda no Norte de Portugal (se calhar no Sul é a mesma coisa, eu é que não sei) - são as próprias mulheres que acham que o homem tem o dever de as educar à palmada. "Se a mulher mereceu...", dizem elas, e encolhem os ombros.

Quanto às denúncias, esse aí parece doentio. Mas, por outro lado, muita gente acusou os vizinhos do Fritzl de indiferença, porque não desconfiaram de nada do que se passaria na cave.
Nunca estamos contentes... ;-)

Maria N. disse...

Helena, há mulheres que pensam assim, mas o que há mesmo muito é a ideia de que o provérbio "entre homem e mulher ninguém meta a colher" também se aplica à violência doméstica.

Anónimo disse...
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Anónimo disse...
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