sábado, 28 de fevereiro de 2009

perder




Tinha planeado uma tarde de sol. Ia lavar a escadaria de granito, molhar os pés na água e depois estender-me ao sol com a Agustina. O tempo não o permitiu. Estendi-me na cama com o meu livro de poemas favorito, feito por mim num moleskine. A estranha sensação de ter perdido alguma coisa, sem saber o quê, acontece-me frequentemente. Tenho de viver com isso, com o quase saber da perda sem nunca saber. Não é tão fácil como parece. Perdi uma tarde de sol mas não é bem assim; não se pode perder o que se não teve. Foi outra coisa. Talvez tudo tenha o propósito de se perder e, se assim é, a perda não é de facto um desastre. É uma arte.

ONE ART

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel.

None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

---Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.

Elizabeth Bishop

3 comentários:

Isabela disse...

A fotografia é tão bonita!

Maria N. disse...

Também gosto muito desta. Tenho outra com o mesmo tema em qualquer lado que hei-de colar aqui também.

Brikebrok disse...

que bonito !