quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

a menina da fotografia e um cachimbo

"Pensemos um pouco no dístico: "Provavelmente, Deus não existe. Agora não te preocupes mais e goza a vida." A primeira frase é que conta, a segunda é como a menina ao lado do Dawkins: só aparece para a fotografia." - Pedro Picoito no Cachimbo de Magritte.

A menina na fotografia foi a pessoa que teve a ideia da campanha e lhe deu início. Quem está lá só para a fotografia é o menino (Dawkins) que se limitou a apanhar a boleia do golpe de génio da menina e a contribuir financeira e generosamente para ela.

Ariane Sherine (sim, a menina tem nome, é jornalista, escreve no The Guardian e para a televisão), ao ver-se confrontada com publicidade religiosa no autocarro que usava, uma das quais incluía um link para um site onde se ameaçava com a condenação e o inferno todos aqueles que não aderissem à mensagem de Deus, achou que também ela tinha alguma coisa a dizer e deu assim início à campanha. A frase "Provavelmente Deus não existe. Deixe de se preocupar e goze a sua vida" é inofensiva e reflecte o pensamento de muita gente, farta de aturar publicidade religiosa apocalíptica e ameaçadora com a intenção de criar sentimentos de culpa e medo nas pessoas.

A informação está toda aqui.

5 comentários:

CCF disse...

Mais importante seria dizer: provavelmente Deus não existe, por isso parem de se matar por causa dele.
~CC~

Maria N. disse...

E se não acreditassem em Deus, deixariam de se matar? Eu acho que no meio de tudo, Deus é mais a justificação do que a causa.

Cristina Gomes da Silva disse...

Também me parece, Maria, se não fosse Deus, havia de ser uma perna de galinha, que sempre é coisa mais terrena. Boa semana

Lutz disse...

Ha, ha, ha! (Riso embaraçado). Confesso que até ao momento em que esclareceste, nada me parecia mal com o raciocínio do Pedro Picoito. Prova de que, mesmo se admito que uma rapariga bonita possa ter uma boa ideia, também eu acho mais provável que aparece apenas por ser bonita. Isto é apenas preconceito? Ou uma generalização baseada em experiência?
Quantas em cem raparigas bonitas que aparecem na comunicação aparecem apenas por serem bonitas?

Maria N. disse...

Lutz,
Penso que começa por ser uma generalização que acaba em preconceito. Os mecanismos aqui não são muito diferentes dos que levam algumas pessoas a caracterizar todo um grupo através da forma como se usa a imagem de alguns elementos desse grupo. A exposição e repetição constante dessas imagens, associadas à mesma ideia, levam a um condicionamento inconsciente para fazermos sempre essas associações (se uma mulher bonita vende carros dos quais parece não perceber nada, porque não vender o ateucarro?), mesmo quando alguma coisa não bate certo. O facto de Dawkins aparecer deveria fazer-nos desconfiar que aqui não se trata da bonita burra, mas enfim; vamos criando censores mentais para determinadas situações, sobretudo as que envolvem minorias, mas para aquelas que se referem a mulheres não.

(Que bom que tenhas passado por aqui. Quando vais voltar a escrever no quase em português? Somos muitos à espera de voltar a ler-te lá :) )