terça-feira, 27 de janeiro de 2009

desemprego

Nem sempre vejo os noticiários mas ultimamente, sempre que o faço, há notícias de empresas que despedem ou ameaçam despedir trabalhadores, por vezes aos milhares. Parece estar tudo a desmoronar-se, como os azulejos do prédio da minha irmã que vão caindo um a um, pedaço a pedaço, ameaçando quem passa – tu és o próximo, tu és o próximo, o mundo vai cair na tua cabeça, mais as dívidas da casa e do carro para pagar e a viagem de sonho ao Brasil. Tenho visões como cenas de filmes de ficção científica, sobre um futuro catastrófico de cidades em ruínas, e muita gente barbuda e esfarrapada a lutar por uma cenoura, uma côdea de pão; a estátua da liberdade para comprar enterrada na areia ou submersa no mar. E nunca ouvi falar tanto da vontade de ter uma horta, de como os refúgios bucólicos começam a parecer mais atractivos como produtores de coisas para a mesa, do que como tardes soalheiras estendidas preguiçosamente no jardim nos intervalos da vida atarefada da cidade. A vida atarefada da cidade. É uma piada, penso. Atarefada na busca de emprego ou enterrada em empregos onde se tenta parecer sempre muito ocupada, desfiando os quilómetros de fibra óptica que nos transportam em pacotes de um lado para o outro, pelo Twitter, o Messenger, os blogues, o Facebook.
Para onde vai toda esta gente?

O meu vizinho da quinta de baixo é músico. De dia anda no tractor e à noite toca piano. Gosto dele. Partilhamos o gosto pelas coisas que entram e saem do chão, a música, a História e o vendedor do Círculo de Leitores.

2 comentários:

Miguel Barroso disse...

Nem sei que lhe diga.


Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

io disse...

e ando eu preocupada com os cubanos ... ;-)