domingo, 28 de dezembro de 2008

distribuição

Há já algum tempo que não ia ao café da Prazeres. Ontem fui lá mas ela não estava, nem atrás nem à frente do balcão, nem na cozinha à volta dos fritos. Reparei que no canto onde costumava estar a arca dos gelados se encontra agora um computador. O monitor tijolo, ultrapassado, estava comido de sujidade assim como o teclado. Cinco crianças empoleiradas em cima umas das outras numa cadeira com rodas irrequietas que chiam quando raspam a tijoleira, fitavam o ecrã e instruíam a que manejava o rato, “clica ali, clica outra vez”, para depois dizer, “pronto, perdeste, agora sou eu”.
- Anabela, anda aqui a esta senhora – disse o velho que anda sempre pegado com a Prazeres mas não arreda pé do café.
A Anabela saltou da cadeira com as rodas irrequietas. A máquina do tabaco não aceita nenhuma moeda, já sei, não preciso tentar. Ela abre-a, retira um maço, recebe as moedas que coloca dentro da máquina que volta a fechar. Distribuição manual.
Lembrei-me de lhe perguntar se já tem um Magalhães. Ainda não.

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