terça-feira, 23 de dezembro de 2008

criação

O que o Papa disse à Cúria Romana em 22 de Dezembro:

“A Igreja não pode e não deve limitar-se a transmitir aos seus fiéis apenas a mensagem da salvação. Ela tem uma responsabilidade em relação à criação e deve tornar presente também em público esta responsabilidade”.

E “ao fazê-lo – deve defender não só a terra, a água e o ar, como dons da criação que pertencem a todos”.

“Deve proteger também o homem contra a destruição de si mesmo. É necessário que haja qualquer coisa como uma ecologia do homem, correctamente entendida. Não é uma metafísica superada, se a Igreja fala da natureza do ser humano como homem e mulher e pede que se respeite esta ordem da criação.
Trata-se aqui da fé no Criador e da escuta da linguagem da criação, cujo desprezo seria uma autodestruição do homem e portanto uma destruição da própria obra de Deus”.

Via Radiovaticana

Parece-me claro que quando fala em respeito pela ordem da criação, o Papa entende estar essa ordem em perigo (subentende-se a referência à homossexualidade, mas também à contracepção). Não haverá falta de bebés tão cedo e a haver, ela terá mais a ver com a economia e a emancipação feminina do que com a orientação sexual de uma pequena parte da humanidade. Em sociedades onde a mão-de-obra é cada vez menos necessária, as populações continuarão a ajustar os seus valores e a produzir menos bebés. A aceitação cada vez maior que a homossexualidade tem, sobretudo nos países ocidentais, tem precisamente tudo a ver com este ajustamento de valores - a reprodução deixou de estar nos objectivos imediatos da população. Não se trata de destruição, mas de equilíbrio.


*nota : resto do discurso do Papa (tradução minha)

«Aquilo que é expresso e entendido com o termo "género", no fim resume-se à auto emancipação do homem da criação e do criador. O ser humano quer fazer tudo sozinho e dispor sempre e exclusivamente de tudo o que lhe diz respeito. Mas desta forma o ser humano vive contra a verdade, contra o espírito criador. A floresta tropical merece, sim, a nossa protecção, mas não a merece menos o homem como criatura, na qual está escrita uma mensagem que não significa contradição da nossa liberdade, mas a sua condição. Grandes teólogos da Escolástica qualificaram o matrimónio, que é o vínculo para a toda a vida entre homem e mulher, como o sacramento da criação, que o Criador instituiu e que Cristo – sem alterar a mensagem de criação – aceitou na história da sua aliança com os homens. Faz parte do anúncio de que a Igreja deve testemunhar a favor do Espírito Criador presente na natureza como um todo, e de especial modo na natureza do homem, criado à imagem de Deus. Nessa perspectiva, deve reler-se a encíclica Humanae Vitae: a intenção do Papa Paul VI era a de defender o amor contra a sexualidade de consumo, o futuro contra a alegada exclusividade do presente e a natureza do homem contra a sua manipulação. (...)»

3 comentários:

Anónimo disse...

Encontro finalmente um comentário inteligente às palavras do Papa.

Anónimo disse...

Uma excelente análise às palavras do Papa!

E um resto de Bom Natal para ti e para a tua família.

Maria N. disse...

Obrigada. Boas festas para ti e para a tua família também.