domingo, 7 de dezembro de 2008

aparição

Naquela igreja apareceu uma manhã um bebé dentro de uma alcofa em cima do altar. Apareceu ao sacristão que momentos antes tinha aberto os portões, verificara se estava tudo em ordem e se dirigira à sacristia de onde agora regressava. Branco, com cabelo negro, o bebé estava embrulhado numa manta de lã azul, bem protegido do frio; não chorava. Sob a luz da clarabóia tinha aura de santo, muito semelhante ao menino Jesus que estava aninhado no colo da estátua de pau de S. José. O sacristão espreitou entre os bancos, dentro dos confessionários, deu a volta ao templo por dentro e por fora, mas não havia ninguém. Era muito cedo.
Mais tarde contou a história à polícia e aos jornalistas. Apareceu na televisão e lamentou não ter um gravador VHS. Recortou todos os artigos de jornal que conseguiu encontrar e guardou-os dentro de um envelope que fechou à chave na gaveta do armário que servia de suporte ao santuário da sua casa. Seria rapidamente esquecido por todos e o nome da aldeia voltaria ao anonimato dos dias que se sucedem iguais.
Excepto quando aparecem meninos jesus no altar da igreja.

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