sábado, 22 de novembro de 2008


Se não fosse o vento forte muito frio, hoje estaria calor. O sol entrou pela casa dentro pedindo-me que fosse lá fora. As folhas que juntamos ontem voavam malucas em círculos, arreliando os gatos que tentavam apanhá-las sob o olhar dos cães. Custa a crer que há tanto barulho para lá dos montes e eu não o ouço. O silêncio instalou-se todo aqui, numa calma aveludada a convidar à proximidade da lareira, ao chá e à leitura sublinhada a lápis. O gato enrolado aos meus pés, as aguarelas das crianças a secar em cima da mesa e o cheiro do pão-de-ló que cresce no forno da cozinha.
A Isabel trouxe-me cebolas. Estava triste porque lhe morreu a cadelita. «É assim, a gente ganha-lhes amor e depois sofre». O céu muito azul, prepara-se para engolir as folhas, o esqueleto do carvalho, os ramos do choupo e o dia, tudo embrulhado nas lágrimas dos que amam e depois sofrem.

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