segunda-feira, 17 de novembro de 2008

86

«Que significado terá o zumbido das abelhas no interior da colmeia? Serve-lhes para se comunicarem umas com as outras? Ou é um simples efeito da natureza, a mera consequência de estar vivo, sem prévia consciência nem intenção, como uma macieira dá maçãs sem ter que preocupar-se se alguém virá ou não comê-las? E nós? Falamos pela mesma razão que transpiramos? Apenas porque sim? O suor evapora-se, lava-se, desaparece, mais tarde ou mais cedo chegará às nuvens. E as palavras? Aonde vão? Quantas permanecem? Por quanto tempo? E, finalmente, para quê?» - José Saramago, 86 anos

4 comentários:

Helena disse...

Eu gostei muito da parte seguinte, quando ele fala do avô que, antes de morrer, se abraçou às árvores que plantara, e do seu impulso de se abraçar às palavras.

Maria N. disse...

Também gostei dessa parte :)

Helena disse...

E nós, vamo-nos abraçar a quê?

Eu ontem fazia 45 anos - era o dia errado para levantar essa questão.

Maria N. disse...

Parabéns Helena!
Abracamo-nos ao mesmo que o avô do Saramago e o próprio Saramago - à vida. As árvores e as palavras significam para eles a vida e é isso que querem abraçar. Não querem morrer.