quarta-feira, 3 de setembro de 2008

a tropa

O meu irmão mais novo, fez a tropa em Mafra. Contava-nos muito pouco dessa experiência, preferindo guardar tudo para ele. A única coisa que ficou na minha memória foi a preocupação da minha mãe com a farda, nos fins-de-semana chuvosos e húmidos, porque secava mal, e da certeza que ela tinha que a disciplina da recruta lhe quebraria os nervos. Lembro-me de ver o meu irmão já fardado, pronto para regressar a Mafra, e de o ouvir dizer à minha mãe «Adeus mãe. Vou para o estrangeiro.» Os rapazes daqui, mal passavam Coimbra em direcção ao sul, sentiam-se estrangeiros.
O mutismo do meu irmão em relação à tropa e o facto do meu pai e o outro irmão não terem cumprido o serviço militar por incapacidade física, deixou-me sem memórias dessa espécie de ritual de passagem da adolescência para a vida adulta. Resta-me um postal do meu tio, com a fotografia dele à civil, que nos enviou de Timor quando lá cumpriu o serviço militar. Ao olhar para esse postal reparo que ele parece um turista, sentado num jardim, como se lá estivesse a passar férias.

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