sábado, 20 de setembro de 2008

formigas

O meu local de leitura preferido é a sombra da tília do meu jardim. As minhas irmãs e o meu pai juntam-se a mim nas tardes de Domingo mas, ao fim de algum tempo, somos escorraçados pelas formigas. Brotam da terra para nos invadir, passeiam-se em cima de nós, fazem-nos comichão. Descobri que invadiram também o meu carro e não percebo porquê. Não há lá alimento para elas.

“Ouço Hamman perguntar-me com insistência como foi possível tornar-se morta a língua da Natureza. Essa língua morreu porque nós já não falávamos com Ela, ou acontecera que a própria Natureza deixou de falar?” – Llansol, Finita 

Tive o carro estacionado na cidade uma semana, no asfalto, longe do verde e da terra, e reparo com estranheza que as formigas sobreviveram. De quê? Se a Natureza deixou de falar, poderão as formigas ter deixado de comer?
A verdade é que elas no carro não me incomodam mas receio que incomodem os passageiros. Apesar disso, ainda não fiz nada ao carro para o libertar da Natureza.

Sem comentários: