quarta-feira, 27 de agosto de 2008

é o pão

Vejo de longe o vestido azul, entornando azuis sobre o céu cinzento. Sem esperar ao menos uma despedida, um aceno de mão, sobe a praia descalça, enrolando as pregas do vestido nas coxas, semblante endurecido pelo vento e pelo sal. Os olhos azuis dão razão ao mar.
Ela nada entende de poesia. Ela disse-me que o amor é o pão que se conquista diariamente, com o esforço de ambos, para depois ser saboreado em conjunto. Quando o homem está no mar, ela pensa que ele trará mais pão e abraça os filhos, rezando e abençoando o homem. Só depois começa a comer.