sexta-feira, 22 de agosto de 2008

as medalhas que Portugal não ganha

«A discriminação salarial entre homens e mulheres pouco evoluiu numa década em Portugal. Em 1997, as mulheres recebiam 72,9 por cento do que era recebido pelos homens nas mesmas funções. Passados dez anos, essa desvantagem era de 74,6 por cento.
(...)
Estes últimos dados não são igualmente exaustivos. A nota alerta que o estudo é feito com base na contratação colectiva e que não se trata de um estudo científico, sobretudo numa área em que as comparações estatísticas são "particularmente difíceis de elaborar". Pretende-se dar apenas indícios de tendências. » -
Público de hoje

O artigo refere ainda que esta desigualdade se verifica a nível europeu, incluindo os países nórdicos, no entanto, Portugal apresenta a maior diferença de salários estando apenas à frente da Eslováquia.
Como mulher, esta é uma situação que me revolta. Como portuguesa, é uma situação que me envergonha. Não há medalhas olímpicas que me tirem a vergonha que às vezes sinto de ser portuguesa. Em dez anos, Portugal reduziu as diferenças salariais entre homens e mulheres em cerca de 2%. Por este andar nunca mais é sábado. De estudo para estudo, somos os piores em quase tudo. Exigem-se medalhas olímpicas, para levar a bandeira aos quatro cantos do mundo, porque o país precisa de vitórias, porque o povo precisa de alegrias. Eu também sou povo e também quero alegrias, mas não apenas daquelas que nos fazem bem por uns momentos, ou por uns dias, como a medalha da Vanessa e a do Nelson Évora em Pequim. Eu quero sobretudo alegrias duradouras, daquelas que significam alguma coisa, com substância.

1 comentário:

Anónimo disse...

eu também.

cláudia (sem login)