quinta-feira, 3 de julho de 2008

sonhos


Gregory Crewdson

Os meus sonhos eróticos nem sempre são agradáveis porque nem sempre concordo com a sucessão de imagens que culmina no orgasmo. Acordo e fico aborrecida, angustiada; aquela fantasia sonhada, que eu desconhecia dentro de mim, não deveria existir, não deveria sacudir o meu corpo e causar-me espasmos vaginais. Não a quero. O meu cérebro acordado pretende mandar no adormecido, impor-lhe limites e juízo, mas este não admite intromissões; tem vida própria e faz do meu corpo o que lhe apetece.

Sonhei com o amor, não, não era amor; era uma empatia romântica. Uma conversa entre duas pessoas num café, um restaurante e de repente, numa sala de embarque muito semelhante à do aeroporto de Galway como a recordo, pequena e decadente mas extravagante; sobre o balcão, que era o mesmo em todos os cenários, crescia uma roseira brava. Uma madeixa caía num rosto masculino e uma mão afastava-a e prendia-a por trás da orelha. As minhas mãos, estranhamente, estavam enluvadas. Calcei luvas porquê? Para impedir o contacto da pele, claro, para que fosse só ternura. Estava a ser conduzida a um êxtase que nada teria a ver com o orgasmo dos sentidos corpóreos; transcendia a matéria.
Não cheguei lá; acordei demasiado cedo com o chamamento da coruja lá fora.


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