sexta-feira, 6 de junho de 2008


fotografia de Michelle Clement

A água corre, escorre, ou desliza. Fica o barulho no ar, como o destino. Faz alarido dentro da casa vazia, no desencontro, no silêncio. Doem-me. Dói-me a água, cristal que escorre luz, e o ruído em volta de mim. Dói-me ser. Dói-me tudo e não espero nada senão o equilíbrio. Equilibro-me pelo que vejo. Quero ver o mar.
Atenta: o dia é tão fundo como o mar. Tão disperso como o vento. Deslizo o corpo pelo dia acima e o dia não avisa os rostos e as memórias, não avisa o tempo mas acompanho-o a compasso no ritmo de todas as horas. Não sou capaz de dissecar o dia em partes diferentes sem nada que as ligue entre si, de viver os momentos e no fim nada saber sobre eles.

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