segunda-feira, 19 de maio de 2008

"O Augusto
sentou-se e dei-lhe a ler o texto que escrevera e que ainda
se encontrava por arquivar ao lado da máquina de escre-
ver. Leu-o atentamente e, ao olhar para mim, contei-lhe o
sonho que tivera e o desejo intenso que sentira de comprar
a boneca. Sentia que se despia do seu mundo, para prestar
uma atenção toda aberta ao meu. Nos gestos imperceptíveis
que faz, mudando os pés de lugar, no modo como coloca
os dedos em volta do nariz e do bigode, no sorriso que
começa a sorrir a partir dos olhos e lhe vai descendo até às
extremidades da boca, sei então que me vai oferecer de
beber.
«Também queres chá?». Aceno que sim, e deixa-me
só para o ir preparar."
(Gabriela Llansol - Finita, Assírio e Alvim, pp. 141-142)
tirado do legente

Gosto muito deste texto, especialmente deste pedacinho.

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