quarta-feira, 7 de maio de 2008

limões de s.joão

Há qualquer coisa estranha nesta terra. Tudo o que se planta não morre mas tarda em crescer, florescer, em dar frutos. Os limoeiros e as laranjeiras foram os mais tardios. Anos a fio, via os dos vizinhos carregados de limões e laranjas, enquanto os daqui se espreguiçavam no sol sem dar uma flor. A mulher do Sr. José, guardiã de saberes antigos, cortou uma vara do castanheiro numa noite de S. João e de madrugada vergastou com ela os troncos raquíticos das laranjeiras e dos limoeiros. No ano seguinte floresceram e perfumaram o jardim. Até hoje não deixaram de dar limões e laranjas embora, de ano para ano, alternem a abundância com a escassez. Segundo ela explicou, estava preocupada em recuperar as coisas que os rapazes lhe tinham roubado na noite anterior e, com a pressa, vergastou apenas um dos lados de cada tronco.

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