quarta-feira, 27 de agosto de 2008

reencontro

o mar lembra aos corpos o desejo primitivo do belo
das linhas esculpidas pela praia andando
na pose estática de todas as coisas
sendo o desafio à mão de todos os espantos
o espanto de ser tão longe
do já criado
do já vivido
do já sentido;
de querer ser poeta sem fazer poesia
nada dizer nada possuir nada
que todas as coisas fossem só todas as coisas;

mas fazemos viagens repentinas não importam as horas
amamos os comboios e as estações esperamos
em cada passante uma nova viagem
cortamos todos os fios e no fim
remendamos todos os tecidos
renovamos os encontros e
dizemos nós as palavras
e inventamos nós o ar
e fazem eles o adeus
adeus adeus adeus.

1 comentário:

blue disse...

gosto particularmente da última estrofe.