domingo, 13 de abril de 2008

avisem o sentir

Fomos até ao rio. A lavadeira veio à janela ver a quem pertenciam os risos, os passos, quem estalava as folhas e os ramos, quem descalço batia a terra e chamava os pintaínhos; quem piava, cacarejava, bichanava, quem se agarrava às vacas aos segredos. Seguimos o caminho aberto pelos campos, ao longo do rio. Baixa a terra era molhada. Entramos rio dentro. Molhando aos poucos as pontas da minha saia, rosa, arrastando a superfície da água, verde; erva lançada ao acaso pelos namorados das suas margens, pelos abraçados dentro das frinchas do moínho abandonado que espreitam o dia e a cumplicidade dos ramos e das pedras.
Empurrando o rio que das minhas pernas fazia ponte, e a sua mão que puxava o meu corpo para dentro do rio, para junto do seu. Desiquilíbrio. A água chega-nos à cintura.
Apanhamos pedras que colocamos mais adiante em cima da terra, ao sol, para que avisem o sentir, para que previnam o vento.

ponte Dorna perto de Assureira e de Castro Laboreiro »

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