domingo, 27 de abril de 2008

encontro breve


automat – Edward Hopper

As linhas perpendiculares que caem do conjunto formado pelas verticais e pelas horizontais das janelas, fazem lembrar cruzes de vidro através do qual a cidade espreita e o café espera. A chuva chegou até aí e permanece em restos molhados no chão plastificado. O ar é calmo e branco fluorescente embora lá fora a cor predominante seja o cinza azulado que escurece, ao mesmo tempo que a luz laranja dos lampiões de rua embate nos vidros e ofusca a vista. Há toda uma história que se faz para lá desta calma, aos poucos, perceptível apenas em pedaços – pedaços de jornal, de cigarro, de café, de gestos, de olhares, de carne. Enquanto o café espera, o branco cai sobre os olhos quando as pupilas fogem para a rua. É o dia dos seus anos mas a luz do sol inventado não a ilumina. E se soprasse? A luz, como se fosse vela?
Soprou a luz.
-Ah!
Silêncio.
A mulher apenas fechou os olhos e o homem apenas levou o cigarro à boca. Pousou a mão na sua perna e disse palavras mudas antes de se erguer e desaparecer do fumo e do calor. Morreu nos gestos.

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