segunda-feira, 28 de abril de 2008

conto americano

---Quando o formoso sol do estio do anno 1001 começou a destoucar de seus gelos de tantos mezes os erguidos cerros da Islandia, reuniu-se em sessão magna o governo d'aquella republica aristocratica para tratar de um assunto de grande transcendencia.
---Os filhos dos ousados navegadores da Norwega, que haviam descoberto e povoado a ilha do Gêlo, já, seguindo o exemplo de seus paes, tinham continuado a sulcar os mares do norte, e descoberto a Groenlandia, ou Terra Verde; porém, infatigaveis e audaciosos, queriam ir agora mais longe em busca de novas terras, menos aridas do que a sua, onde podessem fundar colonias.
---Era a approvação e auxilio dos magnatas da governança, que os pilotos Leif e Bium tambem reclamavam n'este momento, e que fazia reunir os illustres proceres da Islandia na humilde choça que lhes servia de capitolio.
---Não tinha mais dignidade o doge e senado de Veneza no seu palacio de marmore, do que os nobres anciãos escandinavos na sua choupana de turfa. Ouvindo cuidadosamente a proposta dos nautas, o honrado Thorfinn Karlsefne, que presidia á assemblea, e que já navegára tambem, expoz com lucidez as vantagens que podiam resultar para a Islandia d'aquella aventurosa expedição, e votou por que todos os sacrificios se fizessem para a auxiliar.

retirado de Conto Americano de Francisco Maria Bordalo, publicado no Archivo Pittoresco, Volume I, 1857-1858. Ler mais no Polaris.

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