sábado, 12 de abril de 2008

porto não sentido


ponte D. Luís - Rui Bonito


penduradas de noite, de cada lado há uma margem.
as contas infinitas que se fazem ao tempo
descrevem-se arcos e ponteiros sobre a cidade
que todos os dias se afoga e submerge
como náufrago sem destino
vagueando ao acaso na esperança louca de um s.o.s.
na angústia vermelha de um sol posto a sul
das torres das igrejas que ferem o céu
e lançam os sinos no vento.
como se Deus existisse.

imensas madrugadas se constróem paralelas
o entardecer é sempre perpendicular.
a cidade não sabe de um lugar
e interroga o espaço de olhos baços e pequenez.
como se o seu interior estivesse gasto
navega à toa num ego exterior e uno
como caravela desencontrada do porto que a nasceu.

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