domingo, 6 de abril de 2008

ainda

hoje é cinzento e as casas partem-se de lado
as chaminés pintam o céu que se entorna em azuis
cores que se repetem sempre nas telas que pintaste para eles
como fio inquebrantável onde não principias nunca
o outro voo que ficou por lançar a asa no espaço.
e recolhes a despedida de folhas mortas todas as manhãs
como destino já demarcado no movimento.
ensaias o corpo na alma e esperas em silêncio
a face transparente de um dia de chuva.

ainda.
os teus passos vigiados arrastam pelas ruas
o outro lado do céu
como fundo de mar perdido
noutra tela que não soubeste entender.

2 comentários:

Anónimo disse...

Gosto muito do que escreves e como escreves. Este poema parece ter sido escrito para mim, revejo-me nele. Obrigado pelas palavras.

maosdagua disse...

Fico contente por teres gostado. Volta sempre.